| Se tu falas muitas palavras sutis |
| Se gostas de senhas sussurros ardís |
| A lei tem ouvidos pra te delatar |
| Nas pedras do teu próprio lar |
| Se trazes no bolso a contravenção |
| Muambas, baganas e nem um tostão |
| A lei te vigia, bandido infeliz |
| Com seus olhos de raios X |
| Se vives nas sobras frequentas porões |
| Se tramas assaltos ou revoluções |
| A lei te procura amanhã de manhã |
| Com seu faro de dobermam |
| E se definitivamente a sociedade |
| Só te tem desprezo e horror |
| E mesmo nas galeras és nocivo |
| És um estorvo, és um tumor |
| A lei fecha o livro, te pregam na cruz |
| Depois chamam os urubus |
| Se pensas que burlas as normas penais |
| Insuflas agitas e gritas demais |
| A lei logo vai te abraçar infrator |
| Com seus braços de estivador |
| Se pensas que pensas estás redondamente enganado |
| E como já disse o Dr Eiras |
| Vem chegando aí, junto com o delegado |
| Pra te levar… |